quarta-feira, 25 de março de 2015

E por que não?




O motivo de ter escolhido fazer um intercâmbio voluntário é sempre recorrente quando falo sobre minha experiência na Índia.  São sempre as mesmas questões: ah, mas por que ir pra tão longe? Mas caramba, voluntário? Você não acha que o Brasil tem muitas necessidades nesse sentido pra você ir procurar isso no exterior? 

Então, vamos às respostas e à explicação.



 Há um tempo atrás, numa época que minha família precisou de ajuda, recebemos auxílio de pessoas que muitas vezes nem sabíamos quem eram. Hoje, por mais que ainda não saiba quem são elas, lembro somente do rosto de algumas e do gesto que fizeram para nos ajudar. Foi com esse pensamento que resolvi que poderia "devolver" essas ações de alguma forma. 
Sim, eu sei que o nosso país tem muitas necessidades e muita gente precisando de ajuda. Quem me conhece há mais tempo sabe que já fiz alguns trabalhos sociais por aqui e um dia senti a vontade de procurar essa experiência fora do país e me perguntei também:  por que não? Ah, e outra, é realmente mais fácil apontar colocando os "defeitos" de procurar um voluntário fora do país ao invés de levantar e fazer alguma coisa, né? 
Sempre tive muita curiosidade em conhecer a Índia e por saber que o país era bem diferente do Brasil, decidi encarar essa aventura. E foi com essa ideia que em janeiro deste ano embarquei pra Ahmedabad, a quinta maior cidade da Índia.

Meu trabalho seria dar aulas de inglês para crianças carentes de comunidades próximas à escola que eu trabalhava. E os detalhes sobre essa experiência vão vir em posts específicos sobre meu trabalho e minha vida de “indiano” e numa matéria sobre brasileiros na Índia. 

Ser voluntário é difícil, MUITO. Chegar em um país “pior” que o Brasil em questões de desigualdade sociais e perceber que nosso trabalho é “de formiguinha” é muito desanimador.  Eu, como grande parte dos outros intercambistas, recebemos um choque de realidade e vimos que nossa vontade de mudar o mundo em poucos meses provavelmente não sairia da nossa cabeça.
Um homem, dito como dalit (a casta mais baixa da Índia) andava por um mercado pedindo comida para as duas filhas que dormiam improvisadas em um carrinho de mão.
O principal estímulo era levantar todos os dias pela manhã e saber que mesmo o mínimo trabalho que estava realizando lá poderia marcar positivamente a vida daquelas pessoas. E foi assim, com essa força de vontade, que passei os dois meses de intercâmbio na cidade de Ahmedabad.

Quem ficou curioso sobre o trabalho voluntário, não deixe de acompanhar o próximo post. Vou trazer as principais informações para quem quer viver essa experiência, na Índia ou em outros países. 
Até mais!

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